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02 de julho de 2018

"MULHERES" foi tema da 7ª edição da SIAC

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De 28 a 30 de junho, o Colégio realizou a 7ª edição da SIAC - Simulação Interna Agostiniana de Contagem - um dos grandes projetos contemplados no Programa 2ª Milha. Um momento importante para os estudantes do Ensino Médio se prepararem para outras simulações (como MiniONU e TRI-e), nas quais atuam como verdadeiros diplomatas e se aproximam de temas com importância internacional.

Os estudantes (intitulados “delegados”) mergulharam no mundo diplomático e, a partir de um tema, representam um país e apresentam informações nas sessões, durante os três dias de Simulação.

Neste ano, os trabalhos foram estruturados com a temática: MULHERES. Essa temática visa estabelecer o debate em busca de entendimento entre as nações para a promoção do desenvolvimento de políticas públicas que possam levar as mulheres a participarem de todos os setores da economia integralmente. Uma discussão e debate que já vêm sendo estabelecidos pela ONU Mulheres Brasil, que defende a participação equitativa das mulheres em todos os aspectos da vida, e enfocam quatro áreas prioritárias:

  • TRABALHO
  • EDUCAÇÃO
  • SAÚDE
  • SEGURANÇA

No auditório do Colégio, participaram da abertura a professora e pesquisadora da PUC Minas, Maria da Consolação Gomes de Castro, que fez uma explanação histórica e atual das questões relativas à mulher; a Secretária Geral da MiniONU, Marina Oliveira; a haitiana Angetona Dorgilus e Benediction Kipuni, natural da República Democrática do Congo, cujo foco foi de apresentar algumas situações vividas pelas mulheres de seus respectivos países.

Na abertura do evento, a diretora da unidade, Aleluia Heringer, homenageou as mulheres que trabalham no Colégio Santo Agostinho Contagem. Segue o texto na íntegra:

 

SIAC-2018.jpg

Mulher sempre tem algum tipo de luta em sua história. A SIAC - 2018 quer tratar destas questões. O que hoje aflige e dificulta o acesso das mulheres a Educação, Saúde, Segurança e Trabalho?

A Malala era uma menina como qualquer uma. O tiro que levou deu a sua luta pelo acesso à educação pelas meninas uma visibilidade mundial, entretanto temos muitas Malalas em nosso meio.

Mulheres que estão do nosso lado e que lutam, bravamente, para educarem seus filhos, desdobram-se em 3, 4 turnos. Para isto queremos chamar aqui, à frente, para representar todas as mulheres que trabalham conosco, a Lena, Sonara, Cleuzinha, Dora, Catarina e Edina.

Ouvimos suas histórias e sabemos que todas tiveram, e têm, vida simples. Muitas são do interior de Minas. Trabalharam como doméstica, saíram de suas cidades, pararam de estudar no Primário ou, quando muito, concluíram o Ensino Fundamental. Em suas histórias há aquelas que dormiam na casa da “patroa” e não voltavam para casa. Imaginem vocês! Ver a mãe, “de vez em quando”, na feira da cidade? O mais difícil na vida, perguntamos: “Muito tempo que perdi sem ver a mãe”.

“Nunca morei com os meus pais”. “Desde os 12 anos, a vida era só trabalhar na roça, fazer marmita, cuidar da casa e dos irmãos, lavar bacia de roupas no rio”. “Na roça, desde adolescente trabalhava apanhando café, fazendo tijolo – enxada, sol quente”. “Trabalhei como sapateira na fábrica da Elmo, onde bati recorde de produção e, com o dinheiro do prêmio, comprei fogão para a mãe”. “Criei sozinha 6 filhos”.

Também é parte dessas narrativas a ausência paterna. Ainda meninas pegaram a carga para si. O salário era para ajudar a mãe. Muitas não foram bem tratadas. Sofreram violência. Trabalhavam de domingo a domingo e não sabiam de seus direitos. Histórias que se cruzam e nos dão uma ideia da difícil trama de ser mulher pobre no Brasil.

Algumas, ainda hoje, acordam às 3H40 para trabalhar. Quando estão em casa cuidam dos filhos, fazem “janta” que dê para o almoço do dia seguinte. Aos domingos lavam roupa, arrumam a casa, fazem supermercado... Tempo para descansar, muito pouco.

Agora criam também neto. Os sonhos? “Minha vontade é estudar... eu faço muita história, muita mensagem”. Sonho? é “fazer Direito –acompanhar jornais todo dia, a política, jogar boliche, de ficar perto dos jovens”. Faz parte também a alegria de ter, hoje, “dois filhos engenheiros”.

Meus queridos e queridas, sabem por qual motivo existe esta SIAC – mulheres? Para educar o olhar de vocês para enxergarem com os olhos do coração essas mulheres guerreiras, valentes e lindas que estão no meio de nós!

 

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