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16 de setembro de 2020

Arte ao Universo

Quando pensamos sobre a comunicação humana ao longo da história, independente da linguagem - um sinal de fumaça, um grito, um abraço, uma palavra, uma imagem - compreendemos que nossa necessidade de manifestar o que sentimos, pensamos, conhecemos, é, em essência, a constatação do quanto somos incompletos.

Atualmente vivemos uma mutação da linguagem. Ela se manifesta por um meio que não é o corpo. A tecnologia ampliou a comunicação em si, sofremos com os efeitos, mas nosso corpo está distanciado da experiência, segundo Pierre Levy, este é o conceito de virtual.

No universo da arte, a complexidade das experiências tem início nos sentidos. O corpo sofre, absorve e acolhe experiências. Suporta seus efeitos. Entre o perceber e o compreender está a criação. Daí a complexidade de flutuações quando pensamos na arte como linguagem: não se trata apenas de dizer, nem é apenas expressão ou comunicação. Trata-se de manifestar a tensão da busca pela melhor forma, com a intenção clara de tocar o outro na mesma intensidade poética experimentada no processo criativo.

Diante da possibilidade de fazer acontecer uma Semana das Artes Virtual pensamos em Ferreira Gullar e em sua afirmativa de "A arte existe porque a vida não basta" e, intuitivamente, nos debruçamos em uma pesquisa sobre sua obra, na intenção de encontrar argumentos para lançar a semente para o nosso evento. Foi quando nos deparamos com o seguinte poema de sua autoria:

Registro

À janela
             de meu apartamento
à rua Duvivier 49
            (sistema solar, planeta Terra,
             Via Láctea)
             limpo as unhas da mão
por volta das quatro e quarenta da tarde
             do dia 2 de dezembro de 2008
enquanto
              na galáxia M 31
a 2 milhões e 200 mil anos-luz de distância
              extingue-se uma estrela

A leitura desse poema soou como resposta: somos parte de um todo! A singularidade do que estamos vivendo pede uma tomada de consciência sobre o que está além de nós. Cientes de que a arte existe também para nos lembrar do eterno retorno à essência de nossa humanização, qual seja, a transcendência, precisamos nos conectar à voz da natureza que, neste momento, é absoluta em sua eloquência.

O uso da linguagem transforma a humanidade porque perpetua, mantém, estende a existência humana para o coletivo. A Semana das Artes do Colégio Santo Agostinho - Contagem, com o tema “Arte ao Universo”, nasce, portanto, do desejo de dar voz ao sensível numa conexão com o universal, através da arte.

Posso dizer, porque vivi. Façamos ouvir a nossa voz.

Tai Nunes - Coordenadora de Arte 

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21 A 25 DE SETEMBRO

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