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FAMÍLIA, à sua maneira!

postado em:

17 de agosto de 2020

Família fica bem no plural. Não iremos encontrar um modelo universal, talvez seja esta a razão de a clássica frase de Tolstói, escrita em 1877, perdurar até os dias de hoje: “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira”. Não se tratando de ser feliz ou infeliz, mas há algumas variáveis que fazem com que certas famílias com filhos em idade escolar se saiam melhor que outras.

No contexto da grave crise econômica que vivemos, muitos pais e mães perderam drasticamente a renda, outros foram demitidos. Estão preocupados e tensos. Famílias, nesse sentido, estão sobrevivendo cada uma à sua maneira.

Além do impacto econômico, existe a estrutura familiar. Darão conta de segurar o tempo prolongado de turbulência? Os filhos, que antes passavam parte do dia na escola ou cumprindo agendas cheias, agora estão nos apartamentos. Felizes são aqueles que têm um quintal! Falta espaço e faltam os colegas. Não é apenas “fique em casa”, pois não se trata de férias. As tarefas escolares precisam ser mediadas pelos adultos responsáveis, necessidade essa, maior ou menor, dependendo do grau de autonomia da criança. O tanto que a criança ou jovem conseguem buscar soluções e se organizarem impacta diretamente a qualidade da vida dos pais e do ambiente familiar que se tornará mais, ou menos, caótico e estressante.

Crianças não nascem autônomas. Elas aprendem a ser com o trabalho duro dos adultos responsáveis. Esse é o tipo de investimento de longa duração, chamado de maternidade e paternidade. Envolve autoridade, rotina e muita resistência física. Com ou sem estrutura, as famílias estão, a seu modo, se desdobrando como podem para lidar com tamanha exigência. Algumas encontraram, na atual condição, a oportunidade de reorganizar e atualizar a parte que cabe a cada um na dinâmica familiar.

Não podemos renunciar o nosso lugar de adultos da relação. Os filhos um dia foram sonhados. Eles não chegam de repente. São gestados e, nesse período, vão anunciando que também irão mudar nossas vidas. Demandam novas acomodações. Os planos, passeios, viagens e noites não serão mais os mesmos. Filhos nos tiram do centro. Daí nos damos conta, depois que já nasceram, que maternidade e paternidade não são experiências românticas. Com eles passamos a entender, de forma bem mais generosa, os nossos pais e, muito provavelmente, agiremos muito parecido, repetindo tudo aquilo que um dia, em nossa adolescência, criticamos.

Os filhos nos proporcionam uma experiência singular e nos dão a dimensão daquilo que é para sempre. Nós os invocamos, chamando-os à existência. Por mais que acreditemos, o que nasce não é a extensão do nosso corpo, nossas projeções e expectativas. Ao contrário, dirão, continuadamente, principalmente na adolescência: “pai, mãe, eu não sou você! Tenho identidade!”

Temos, portanto, responsabilidades para com eles e isso dentro de nossas casas, lugar qualificado de convívio e aprendizagem. Tolstói tinha razão. Cada família carrega, cada uma à sua maneira e intensidade, uma alegria e uma dor. Isso não está sendo dito, mas está nas entrelinhas. Não vamos desistir e sejamos felizes, à nossa maneira.

Aleluia Heringer Lisboa Teixeira

Doutora em educação e diretora do Colégio Santo Agostinho - Contagem

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